Algumas perguntas/respostas sobre
o polémico acordo ortográfico
“Não percebo qual é o grande problema em escrever-mos [sic] diferente dos outros países de Língua Portuguesa?” Devolvo a pergunta: Não percebo qual é o grande problema em escrevermos igual aos outros países de língua portuguesa.
“Ainda não percebi muito bem as novas regras mas parece que vão assim existir muito mais homónimas”. Pelo menos confessa que ainda não percebeu as regras. O que eventualmente vão existir é mais palavras homógrafas. Tais palavras sempre existiram, em todas as línguas.
“Depois como é que distinguimos palavras com significados tão diferentes”? Exactamente como actualmente, como sempre: pelo contexto, pois as palavras não são usadas isoladamente. Eu ato o saco antes de o pôr no lixo. Eu gostei mais do segunto ato da peça. Não me peça para substituir outra peça do motor. Como é que distinguimos “peça” nos três casos? Este exemplo já existe, sem as “novas regras”.
“Existe uma coisa que se chama raiz da palavra e família de palavras.”
Sim, etimologia. E existe outra coisa chamada evolução (não necessáriamente boa ou desejável, mas é um facto que existe). Por isso é que nós (em Portugal) escrevemos “produto” e não “producto”, nem (ainda menos) o original latino “productu”. Pela mesma razão os brasileiros escrevem “ação” e não “acção” e nem eles nem nós escrevemos o histórico e original “actione”. Já agora, a propósito dos exemplos ingleses, eles também evoluiram na escrita e, pegando no último exemplo, escrevem “action” e não “actione”. Escrevem “pig” e não o histórico “pigge”. Etc, etc.
“A grafia de cada palavra tem razões culturais e históricas”
“(…) afastamo-nos nós das nossas próprias origens.”
É verdade, é a tal evolução, seja boa ou má. Mas será que o Sabino deseja voltar a escrever “pharmacia”, “castello”, “effectivo”? Os próprios italianos, os mais próximos, pelo menos geograficamente, da língua histórica (latim) que deu origem ao português e ao italiano, não escrevem “homine” nem sequer “huomo”, mas sim “uomo” (homem). Não escrevem “actione”, nem “accione”, nem “aczione”, mas sim “azione”. Por que raio é que nós havemos de continuar escrevendo “acção” se dizemos “ação”? Só porque em latim era “actione”?
A grafia (…) não pode ser alterada com um simples protocolo.”
Pode. Quer gostemos, quer não; quer seja bom, quer seja mau. A grande reforma ortográfica em Portugal em 1911 foi ordenada por portaria. Um outro decreto estabeleceu nova ortografia em 1945. Em 1971 (já eu andava na escola) um acordo entre Portugal e Brasil suprimiu alguns acentos gráficos (por exemplo “òptimamente” passou a “optimamente”). Portanto, decretos, acordos, protocolos, etc, têm imposto alterações à grafia (graphia). Contudo, eu creio que as principais alterações são fruto do uso, da evolução da língua, seja ela considerada boa ou má.
Com os melhores cumprimentos (ou meliore complemente, para ficar mais próximo da origem histórica ![]()
Francisco



























8 de Julho, 2008 às 14:53
Eu acho bem que a língua evolua! Muitos dos erros ortográficos que as pessoas comentem derivam precisamente do facto de se muitas palavras não serem escritas da mesma maneira que são lidas…
) Mas com o tempo, chega-se lá
É claro que não vai ser fácil habituar-nos a isso… (habituar agora vai ficar sem h n é?
PS: Gosto da Pharmácia da imagem ^^
8 de Julho, 2008 às 18:45
Oh, que treta…daqui a uns anos os meus filhos virão pedir-me ajuda nos trabalhos de casa e eu vou ficar estupefacta a olhar para aquilo porque a língua portuguesa vai estar tão diferente que nem ler vou conseguir xD*
8 de Julho, 2008 às 20:59
Bem vai ser um pouco complicado, mas mudar de vex em kundo tmb é bom.
lol
8 de Julho, 2008 às 15:20
eu sinceramente não estou de acordo com esta evolução na língua portuguesa.
andámos nós tantos anos na escola a aprender a escrever correctamente uma língua que é única e que possuí uma história incrível, pois o português como ele é agora sofreu tantas influências de línguas tão prestígiadas e agora querem que escrevamos tal e qual como os brasileiros???
resumindo: andámos nós uma vida na escola a aprender a escrever para agora não o sabermos fazer….
8 de Julho, 2008 às 20:44
Se eu quiser escrever à brazuca, vou viver para lá
A mim… não me apanham a abrasileirar
*
8 de Julho, 2008 às 1:00
Caro Francisco,
um dos frágeis pilares deste disparatado “acordo ortográfico” (“SUBMISSÃO ORTOGRÁFICA” parece-me expressão mais realista) é, de facto, a aproximação do grafismo ao que, de forma muito pouco sustentada, alguns auto-proclamados linguístas pensar ser os “fonemas” da Língua Portuguesa. Perfeitos ignorantes dos processos cognitivos, pensam, que dessa forma, facilitarão a aprendizagem da forma escrita da língua. Erro crasso, como aprenderiam os chineses a escrever?! Grave é o afastamento das raízes latinas e gregas da nossa língua, que a tornará de difícil aprendizagem para os anglo-saxónicos! Uma das razões de sucesso do Inglês (mesmo sem acordo ortográfico!) é a preservação das raízes gregas e latinas, imediatamente reconhecíveis. Compare com o declínio do Italiano que, tal como, por exemplo, o Romeno, foi estropiado pelos fanáticos da “fonetização” … a propósito, é interessante verificar como Orson Wells antecipava tais riscos em “The Time Machine”. Já agora, permita que lhe diga que o seu exemplo da “proximidade geográfica” do Italiano é totalmente absurdo: a queda do Império Romano deu-se a partir de Roma… e tenho a certeza de que sabe perfeitamente de que, por esse motivo, a maior preservação do Latim nas línguas Românicas se verificou nos extremos do Império (Península Ibérica e Roménia e Bassarábia). Já agora, pessoalmente, preferiria escrever Pharmácia ou telephone… acedite que, isso sim, facilitaria a divulgação do Português… Reconheça, pelo menos, que o dito acordo terá de ser mais fundamentado… é que o Português é uma Língua falada por mais gente que o maltratado Italiano… a responsabilidade é outra… Saudações!
8 de Julho, 2008 às 1:25
Já agora, Francisco… não o preocupa o afastamento lexical (e, de facto, gramatical) entre as várias(!!!) formas de Português sul-americano e o Português europeu?
Depois do acordo ortográfico, vamos tentar eliminar os tempos verbais que o lamentável ensino brasileiro não consegue ensinar? Vamos eliminar a subtileza do Português? Para quê?!?!? Para as criancinhas brasileiras darem menos erros ortográficos no ensino básico? Ou também acha que o brasileiro médio não lê autores portugueses por não entenderem as diferenças de grafia? Se assim é, nivelemos mesmo por baixo: que o Português padrão seja um crioulo estropiado, sem tempos verbais: pode usar sempre o infinitivo, juntando sempre um advérbio temporal e o sujeito de forma explícita… muitas línguas são assim e com grande produção literária! Exemplo: No futuro, nós falar assim simples… Curiosamente, nenhuma dessas línguas, mesmo que hiper-fonéticas, aparece no topo lista das línguas mais faladas no mundo… e já foram as línguas oficiais de grandes impérios… que injustiça! Talvez esteja a iguejajarar (esta só no acordo de 2030), não averá prublema (FFE, forma fonética europeia), a xente (os galegos reclamarão o seu quinhão na decisão) se acustumará (FFE) a eskesser (pelo uso Histórico nos SMS) a istória depois du (sei lá, isto pode ser imparável) acordu de 2030. Saravá!
8 de Julho, 2008 às 1:29
Desculpem se estou a exagerar mas ver a Mai quê? Proença recordou-me que a nossa Língua está em perigo.
já agora, uma correcção gramatical ao meu texto anterior:
“Ou também acha que o brasileiro médio não lê autores portugueses por não entender* as diferenças de grafia?”
Minha nossa, ainda mal chegou o acordo e já estou falando como um brasileiro…
8 de Julho, 2008 às 1:30
OUTRA: aproximação do grafismo ao que, de forma muito pouco sustentada, alguns auto-proclamados linguístas pensam* ser os “fonemas”